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O papel da família no desenvolvimento e autonomia da pessoa com deficiência

O primeiro ambiente de inclusão de crianças e jovens é o lar, e o incentivo à autonomia nesse ambiente é primordial.
O papel da família no desenvolvimento e autonomia da pessoa com deficiência
Redação Apae
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No centro da imagem há uma menina lorinha de costas para a câmera, ao lado direito uma mulher de costas aparecendo apenas da cintura para baixo, do lado esquerdo um homem, aparecendo da mesma forma que a mulher

Todos os dias tomamos várias decisões. Desde escolhas rotineiras, como o que comer ou vestir, até coisas mais sérias, como emprego, rumos nos estudos ou onde morar. A autonomia para tomar essas decisões é uma coisa essencial a todo ser humano. E na Apae Brasil o protagonismo das pessoas com deficiência intelectual e múltipla em suas próprias vidas é incentivado, a partir do conhecimento delas e de suas famílias para a tomada de decisão.

Neste contexto, é primordial que a família incentive este comportamento desde a infância, propiciando condições para que a pessoa com deficiência desenvolva sua autonomia. Sobre o tema, a coordenadora de família de Santa Catarina Adriane Polazzo destacou, durante a abertura do Fórum Estadual de Família, a importância desses valores serem enfatizados. “A família é o primeiro espaço social ao qual somos inseridos, é quem nos apresenta ao mundo. Família é quem nos ensina, acompanha o nosso desenvolvimento inicial, e muitas vezes até o final. É o porto seguro, e é na família o primeiro espaço de inclusão de nossos filhos e filhas”.

Desse modo, o primeiro lugar onde a inclusão deve se fazer presente é o lar. E para isso acontecer é preciso que as famílias tenham condições de propiciar um ambiente acolhedor, mas sem deixar de promover a autonomia de seus membros, principalmente as pessoas com deficiência. A autodefensoria estadual de Santa Catarina, Rosa Maria Silva fala dessa relação. “A família é a base de tudo, e principalmente na vida das pessoas com deficiência quando ela nos oportuniza, dando a nós o direito de fazer as nossas escolhas.”

Contudo, é preciso tomar cuidado para que esse ambiente acolhedor e de proteção não impeça o florescer da autonomia e do protagonismo das pessoas com deficiência. Para isso, é preciso que a família acredite no potencial dessas pessoas, como enfatiza o autodefensor estadual do Rio Grande do Sul Gilsinei Pesamosca. “Vocês aí, que são pais, mães, irmãos, tios de alguma pessoa com deficiência, tentem parar de ver a pessoa com deficiência como pessoas incapazes, mas sim como pessoas capazes”, adverte.

Superproteção

Um dos comportamentos comuns às famílias das pessoas com deficiência é buscar criar em casa um refúgio para proteger os seus, o que por vezes por até pode restringir a autonomia. A autodefensora estadual das Apaes Rosa Maria Silva, de Santa Catarina, comenta sobre o assunto: “A proteção, quando em excesso, prejudica e atrapalha um pouco o nosso desenvolvimento, principalmente na fase em que a criança está crescendo, se desenvolvendo”.

“É instinto de pai e mãe essa proteção, porque não querem que os filhos sofram ou se frustrem, mas mesmo sem a família perceber tudo isso tem consequências. Quando os pais tentam proteger os filhos de todas as dificuldades, eles estão passando inconscientemente a mensagem de que os filhos são incapazes de fazer algo sozinhos, e ao longo do tempo isso vai causando nos filhos a sensação de que somos incapazes”, completou Rosa.

Para Rosa, começar a frequentar a Apae foi um ponto de virada para essa conquista: “Quando eu iniciei na Apae, eu comecei a perceber o quanto era importante a autonomia e a independência que eu ainda não tinha”, ressaltou.

Isso porque nas diversas atividades realizadas nas Unidades das Apaes, a autonomia e o autoconhecimento são entendidos como princípios fundamentais para as pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Neste contexto, as famílias são incentivadas a promover isso dentro das limitações de cada um. E é isso que incentivamos você a adotar! Respeitar e incentivar a autonomia ajuda a promover uma vida mais digna e feliz para as pessoas com deficiência intelectual e múltipla.

Texto: Janine Martins – Apae Brasil

Imagem Ilustrativa: Pexels/Pixabay 

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