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Suplementação sem orientação pode trazer riscos à saúde; entenda quando ela é indicada

Pessoas com deficiência intelectual têm maior risco de deficiência de vitaminas e minerais, mas especialistas alertam que o uso de suplementos deve ser individualizado e baseado em avaliação clínica e nutricional.
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Eduarda Zeglin
Jornalista, Analista de Comunicação, Marketing e Eventos
Publicado em

Pessoas com deficiência intelectual apresentam maior risco de ingestão inadequada de vitaminas e minerais. Um estudo publicado no The British Journal of Psychiatry, conduzido por pesquisadores do Trinity College Dublin, na Irlanda, identificou uma alta prevalência de deficiência de vitamina D entre pessoas com deficiência intelectual.

A pesquisa mostrou que 77,3% dos participantes apresentavam níveis insuficientes da vitamina, percentual quase duas vezes maior que o observado no grupo controle (39,6%). Os pesquisadores também destacam que fatores como pouca exposição ao sol, alimentação inadequada, uso contínuo de medicamentos e algumas condições de saúde podem contribuir para esse cenário.

Além da vitamina D, pessoas com deficiência intelectual também apresentam maior risco de deficiência de nutrientes como ferro, vitamina B12, cálcio e zinco. Devido a fatores como seletividade alimentar, dificuldades de mastigação e deglutição, alterações gastrointestinais, dependência para alimentação e uso contínuo de medicamentos, o organismo pode não receber todos os nutrientes necessários, evidenciando os dados apresentados pelo estudo.

Diante desse cenário, a suplementação pode ser uma importante aliada para corrigir deficiências nutricionais e prevenir complicações associadas à falta de vitaminas e minerais. No entanto, especialistas alertam que seu uso deve ser individualizado. Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e sociedades médicas recomendam que a suplementação seja indicada apenas após avaliação clínica e nutricional, já que o consumo indiscriminado pode não trazer benefícios e, em alguns casos, provocar efeitos adversos.

A nutricionista da Apae Curitiba, Marcilene Duda, explica que esse cenário é frequente entre os pacientes atendidos pela instituição, principalmente quando há grande restrição alimentar.

“É comum encontrarmos alunos com seletividade alimentar extrema, quando a pessoa aceita apenas um ou poucos tipos de alimentos. Percebo muito isso nos nossos alunos, principalmente naqueles que apresentam disfagia, que é a dificuldade para engolir os alimentos”, relata.

Segundo a profissional, essas deficiências podem comprometer o crescimento, a imunidade, a saúde óssea, a disposição e até mesmo o desenvolvimento cognitivo e motor. Em alguns casos, a falta de determinados nutrientes também pode agravar sintomas já existentes, tornando ainda mais importante o acompanhamento nutricional.

Apesar disso, Marcilene alerta que a suplementação não deve ser iniciada sem orientação profissional. O uso inadequado pode trazer riscos importantes à saúde.

“Sem a indicação correta, o paciente pode apresentar desconforto gastrointestinal, excesso de vitaminas e minerais, intoxicação e sobrecarga dos rins e do fígado. Isso acontece muito com a vitamina D. Em excesso, ela pode causar intoxicação e favorecer a calcificação dos vasos sanguíneos e de outros tecidos”, explica.

Duda enfatiza que a suplementação só deve ser utilizada quando há deficiência nutricional comprovada ou quando a alimentação não consegue atender às necessidades do organismo. Para isso, é fundamental uma avaliação individualizada.

“Nunca oferecer suplementos por conta própria. A indicação deve ser feita por nutricionista ou médico após avaliação da alimentação, exames laboratoriais e do estado nutricional. Cada suplementação é personalizada e depende muito do que os exames indicam como deficiência. A partir disso, é definido o suplemento mais adequado para cada caso”, destaca.

A nutricionista reforça que a suplementação pode ser indicada em qualquer idade, desde que exista necessidade comprovada. A indicação é baseada na avaliação do crescimento, da alimentação, dos exames e das condições de saúde de cada paciente. Não existe uma regra geral. Cada pessoa precisa ser avaliada individualmente.

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