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Pessoas com deficiência também envelhecem: os desafios e cuidados da longevidade

Avanço da expectativa de vida traz novas demandas para famílias, profissionais e instituições.
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Milena Hable
Jornalista
Publicado em

Durante muito tempo, falar sobre envelhecimento de pessoas com deficiência parecia distante da realidade de muitas famílias. Hoje, esse cenário mudou. Com avanços na medicina, no acesso aos cuidados de saúde, na inclusão e no acompanhamento especializado, pessoas com deficiência intelectual estão vivendo mais e envelhecendo.

Essa nova realidade também traz desafios. Além das mudanças naturais da idade, muitas pessoas com deficiência podem apresentar necessidades específicas relacionadas à saúde, autonomia, convivência social e qualidade de vida. Em alguns casos, o envelhecimento pode acontecer de forma precoce, exigindo atenção ainda maior das famílias e profissionais.

Na Apae, o aumento no número de adultos e idosos atendidos mostra como o tema se tornou cada vez mais presente no dia a dia da instituição. Mais do que pensar no cuidado, é necessário discutir envelhecimento saudável, participação social e garantia de direitos.

Segundo especialistas, envelhecer bem envolve diferentes aspectos, como acompanhamento médico, estímulos cognitivos, atividades físicas, convivência social e manutenção da autonomia. Pequenas atividades do cotidiano, oficinas, exercícios, terapias e momentos de interação ajudam a preservar capacidades e fortalecer vínculos afetivos.

A fisioterapia é uma das aliadas nesse processo. Além de trabalhar força, equilíbrio e mobilidade, as intervenções contribuem para reduzir o risco de quedas, preservar a capacidade funcional e estimular a independência nas atividades diárias. “Nosso objetivo é manter a autonomia e a funcionalidade pelo maior tempo possível”, destaca a fisioterapeuta Erica de Souza Loch. 

Para quem acompanha de perto essa realidade, algumas mudanças podem surgir de forma gradual ou repentina. A assistente social das Residências Inclusivas da Apae Curitiba, Rosilei Pivovar, destaca que o envelhecimento exige um olhar atento para as transformações comportamentais e emocionais dos atendidos.

“Os desafios são manter a qualidade de vida deles. Também observamos mudanças muito repentinas de comportamento. Muitas vezes eles já não gostam de participar de algumas atividades e passam a querer permanecer mais quietos”, explica.

Segundo a fisioterapeuta, esse processo também pode ser acompanhado por alterações físicas importantes. “Em algumas pessoas, o envelhecimento acontece de forma precoce, com redução da força muscular, do equilíbrio e da mobilidade”, afirma. Essas mudanças podem aumentar o risco de quedas e reduzir a independência nas atividades do dia a dia.

O trabalho também envolve as famílias. A orientação é estimular a autonomia sempre que possível, respeitando os limites de cada pessoa. “Pequenas atitudes no cotidiano ajudam a manter a independência e favorecem um envelhecimento mais ativo”, reforça a profissional. Ela também destaca a importância da continuidade dos exercícios, da alimentação saudável, do acompanhamento multiprofissional e da adaptação dos ambientes para prevenir acidentes.

Para os profissionais da área, a sociedade ainda fala pouco sobre o envelhecimento da pessoa com deficiência. Apesar do aumento da expectativa de vida, ainda existem poucos serviços, políticas públicas e debates voltados especificamente para essa população.

Mais do que viver mais, pessoas com deficiência querem e têm o direito de envelhecer com dignidade, autonomia, afeto e participação na sociedade. Reconhecer essa realidade é um passo importante para construir espaços mais inclusivos em todas as fases da vida.

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