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Bilinguismo e TEA: como desmistificar medos e incentivar um aprendizado seguro

Receios sobre atrasos na comunicação ainda preocupam famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, estratégias adequadas podem transformar o contato com um novo idioma em uma oportunidade de desenvolvimento cognitivo.
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Juliana Paiva
Estagiária de jornalismo
Publicado em

O contato com mais de um idioma ainda gera insegurança entre pais e responsáveis por crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). As principais preocupações envolvem possíveis atrasos no desenvolvimento da fala, o risco de sobrecarga cognitiva e o medo de barreiras na comunicação dentro do próprio lar.

Esse cenário é frequente. Segundo o estudo conduzido por Howard, Katsos e Gibson, publicado na revista Horizontes de Linguística Aplicada, muitos responsáveis evitam a exposição a uma segunda língua por receio de que isso prejudique o desenvolvimento da fala. Contudo, a pesquisa esclarece que o bilinguismo não é um fator de risco; a verdadeira dificuldade está na falta de suporte especializado e de um ambiente preparado para estimular esse aprendizado de maneira estruturada.

O papel das funções executivas

Diferente do que a maioria das pessoas acreditam, o bilinguismo pode ser um aliado. O contato com dois idiomas pode estimular as funções executivas, como a atenção seletiva e o controle cognitivo, contribuindo para o desenvolvimento do indivíduo.

Para que esse processo seja proveitoso e livre de estresse, o foco deve estar no modo que será realizada a introdução dessa nova língua. Especialistas recomendam:

Recursos Visuais: Uso de cartões e sinalizações para associar conceitos.

Contextualização: Repetição de termos vinculada a rotinas reais do dia a dia.

Tecnologia Assistiva: Ferramentas digitais que tornam a comunicação mais lúdica e acessível.

Fortalecendo vínculos

O caminho para uma educação bilíngue bem-sucedida no TEA passa pelo alinhamento entre família, escola e profissionais de saúde, como fonoaudiólogos e pedagogos. Juntos, eles podem construir estratégias personalizadas que respeitem o ritmo e as particularidades de cada criança.

Com orientação correta, o aprendizado de um novo idioma deixa de ser um obstáculo e se torna uma ferramenta de inclusão e expansão de horizontes.

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