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Profissionais da saúde da Apae Curitiba promovem atividades terapêuticas para pacientes externos

Encontros mensais unem ludicidade, socialização e participação das famílias para reforçar os objetivos trabalhados durante as terapias.
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Eduarda Zeglin
Jornalista, Analista de Comunicação, Marketing e Eventos
Publicado em

Novas atividades têm sido realizadas pelo setor de saúde da Apae Curitiba junto aos pacientes dos atendimentos externos. Desde novembro de 2025, o novo modelo vem sendo implementado na instituição, em razão das mudanças no contrato firmado com a Secretaria Municipal de Saúde. Com isso, uma vez por mês, aos sábados, as terapeutas promovem atividades coletivas que colocam em prática os objetivos trabalhados durante as sessões individuais. Atualmente, a instituição atende 101 pacientes externos e outros 110 alunos da escola.

Cerca de quatro encontros já foram realizados e cada um conta com uma proposta diferente. As atividades envolvem uma fisioterapeuta, duas terapeutas ocupacionais e duas psicólogas. O encontro mais recente, realizado em 11 de julho, teve como tema a Festa Julina. A programação reuniu brincadeiras e comidas típicas, criando um ambiente lúdico para estimular habilidades trabalhadas durante as terapias. Todas as atividades são planejadas de acordo com os objetivos terapêuticos de cada criança.

“Quando a gente traz eles para esses momentos, trabalha a socialização, o limiar da frustração e também o saber esperar o momento certo de participar e fazer a parte deles”, explica a secretária do setor, Karina Cristina Goes Prestes.

Ela também destaca a importância da participação das famílias no processo terapêutico. Segundo Karina, é fundamental que pais e responsáveis entendam que brincar e interagir fazem parte do desenvolvimento infantil. “A gente tem percebido que muitos pais não sabem brincar com os filhos. Simplesmente dão o celular. Aqui, desde o acolhimento, a gente orienta para que o celular não seja utilizado, porque esse momento precisa ser de interação.”

Todas as crianças atendidas pelo serviço externo são autistas, contemplando os três níveis de suporte. Embora estudem em escolas regulares, muitas pertencem a famílias mais humildes e têm pouco acesso à informação e ao acompanhamento especializado.

É o caso de Cerli Aparecida Seixas Gregório, avó e responsável por Israel, de dez anos. Criado por ela, Israel ficou dois anos sem receber acompanhamento terapêutico. Desde que iniciou os atendimentos na Apae Curitiba, Cerli percebe mudanças significativas no comportamento do neto. Antes, ele apresentava dificuldades para interagir com outras pessoas; hoje, demonstra mais segurança para conversar e maior iniciativa nas atividades propostas.

Israel realiza duas terapias por semana, com terapeuta ocupacional e psicóloga. Segundo Cerli, além da evolução do neto, o acompanhamento também orienta a família sobre como dar continuidade aos estímulos em casa.

"Acho que está sendo muito bom para ele. As terapeutas dão muito carinho e atenção. Ele gosta muito de vir. Quando chega o dia da terapia, a gente já percebe pequenas diferenças no comportamento."


Brian, de seis anos, também iniciou recentemente os atendimentos na Apae Curitiba. Acompanhado pelos pais, já apresenta resultados positivos. A mãe, Eliane Arcanjo da Silva, conta que percebeu uma evolução maior após a mudança para a instituição.

"A gente vê que, desde que ele começou aqui, mudou o comportamento com as pessoas e a questão da espera. Isso sempre foi muito difícil para ele. Hoje, ele já está conseguindo se adaptar."

Brian possui nível 3 de suporte e passou a desenvolver habilidades que antes não demonstrava, como utilizar a imaginação durante as brincadeiras e montar brinquedos. Para Eliane, as terapeutas conseguem identificar potencialidades que nem a própria família havia percebido.

"Um dia uma terapeuta me chamou e disse que ele tinha montado um caminhão com vários objetos. Eu nunca imaginei que ele faria isso, porque ele não tinha interesse por brinquedos. Ele gostava apenas de livros e letras."

Ela também destaca o apoio recebido pela equipe durante o tratamento."Às vezes eu tenho dúvidas sobre o que fazer em casa. Aqui a gente sempre pode conversar com as terapeutas e entender como continuar o trabalho que é feito durante as sessões. É uma troca muito boa."

Outra família que percebe mudanças no dia a dia é a de Alessandra Bramor, mãe de Henrique, de oito anos. Segundo ela, o filho apresentava dificuldades para interagir com outras pessoas, mas passou a demonstrar mais autonomia e confiança após iniciar as terapias.

“O Henrique começou a ter mais iniciativa. Hoje ele fala ‘eu quero’, ‘eu vou primeiro’. Antes ele tinha muita vergonha quando chegava em um lugar com mais pessoas. Agora ele já chega mais confortável e participa.”

A proposta das atividades em cada área da saúde

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Cada terapia tem o objetivo de desenvolver habilidades específicas. A psicóloga Aline Maciel ressalta que cada atividade é pensada não apenas com finalidade terapêutica, mas também para mostrar às famílias que é possível trazer o lúdico para o dia a dia e construir esse universo com materiais simples.

Durante as atividades, Aline observa diversos aspectos do desenvolvimento das crianças, como a psicomotricidade, a forma como lidam com frustrações e limitações e a interação com outras pessoas. Ela também avalia se a criança compreende as orientações de forma direta ou se é necessário reformular a informação para facilitar o entendimento.

Outro ponto destacado pela psicóloga é o engajamento das famílias, considerado fundamental para que o processo terapêutico tenha resultados. Mesmo acontecendo aos sábados, as terapeutas ficaram surpresas com a adesão e a participação em todos os encontros, o que também estimula as próprias profissionais a se dedicarem ainda mais à proposta.

“As famílias gostam e é muito recompensador quando elas nos trazem a devolutiva, dizendo: ‘Fiz isso em casa, deu certo’, ou ‘Ele gostou muito e quer vir de novo’.” 

Na Terapia Ocupacional, o processo não é diferente. As atividades são planejadas justamente para alcançar resultados por meio das brincadeiras e da ludicidade. A terapeuta ocupacional Suellen Ripka relata que os principais eixos trabalhados envolvem coordenação motora ampla e fina, consciência corporal, tempo de espera e troca de turnos.

Entre as atividades preparadas para a Festa Julina esteve a caça ao tesouro sensorial, na qual as crianças puderam explorar diferentes estímulos por meio do tato, olfato e, ao final, também do paladar, durante a experimentação dos alimentos.

Diferente dos encontros anteriores, neste sábado a programação foi mais livre, sem uma sequência fixa de atividades. A proposta exigiu uma adaptação maior das crianças, mas trouxe resultados positivos.

“Nós percebemos que alguns acabaram tendo uma certa resistência no começo por ver que era algo muito livre. Quando existe uma sequência de atividades, eles conseguem se organizar melhor e antecipar o que vai acontecer. Hoje, como era mais livre, alguns ficaram mais agitados e resistentes no início, mas, com a mediação das famílias e da nossa equipe, conseguiram participar de uma forma muito legal.”

Amanda Aparecida de Moraes Vizolli, também terapeuta ocupacional, comenta que a socialização costuma ser um dos maiores desafios para muitas crianças atendidas. Segundo ela, os encontros em grupo contribuem para diminuir essa resistência, favorecendo a criação de vínculos e novas amizades.

Outro resultado positivo observado pelas profissionais foi o avanço de algumas crianças em relação à seletividade alimentar. “Preparamos uma mesa com vários alimentos típicos da festa julina. Tivemos crianças que nunca tinham aceitado experimentar um alimento sólido. Ao ver outras crianças experimentando, muitas delas também aceitam provar. Às vezes parece apenas um detalhe da festa, mas é um ganho enorme.” 

A fisioterapeuta Lilian Gerake explica que as atividades desenvolvidas nos encontros seguem os mesmos objetivos trabalhados durante as sessões individuais. Cada proposta é planejada de acordo com as necessidades de cada criança, com foco no desenvolvimento da coordenação motora, do equilíbrio e de outras habilidades funcionais. 

“Sempre pensamos nas necessidades de cada criança. Algumas precisam desenvolver mais a coordenação, outras o equilíbrio, e os pais participando acabam sendo um incentivo importante durante as atividades.”

Segundo Lilian, ainda existe a ideia de que a fisioterapia é indicada apenas para crianças com dificuldades motoras mais evidentes. No entanto, ela explica que o trabalho também busca aperfeiçoar habilidades do cotidiano, como brincar, coordenar movimentos e participar das atividades de forma mais independente.

“Muitos pais pensam que, como a criança anda e corre, ela não precisa de fisioterapia. Mas trabalhamos justamente o equilíbrio, a coordenação e habilidades que fazem diferença no dia a dia.”

Como acontece o atendimento externo

Os atendimentos externos da Apae Curitiba são realizados por meio de parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e integram a rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço passou a ser oferecido pela instituição após a atualização do contrato firmada em 2025.

O acesso acontece por encaminhamento médico. Inicialmente, a família procura uma Unidade de Saúde, onde o pediatra avalia a criança e registra, no encaminhamento, as principais demandas terapêuticas. Em seguida, o paciente entra na fila de espera do Ambulatório Encantar, responsável pela regulação dos atendimentos especializados. Atualmente, cerca de onze instituições credenciadas realizam esse serviço em Curitiba.

Quando a vaga é destinada à Apae Curitiba, a equipe recebe as informações iniciais pelo sistema E-Saúde e agenda uma triagem multiprofissional. Participam desse primeiro atendimento profissionais como psicóloga, assistente social e terapeuta ocupacional, que avaliam as necessidades da criança durante aproximadamente 30 minutos.

A partir dessa avaliação é elaborado um Plano Terapêutico Inicial, definindo quais especialidades serão necessárias, como psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia ou nutrição.

Após a elaboração do plano, a família recebe o cronograma dos atendimentos. Sempre que possível, as terapias são organizadas no mesmo dia da semana, facilitando a rotina das famílias e reduzindo o número de deslocamentos. As sessões são distribuídas entre os profissionais responsáveis, de acordo com as necessidades de cada paciente.

Além dos atendimentos individuais, a equipe desenvolve atividades externas e em grupo, com foco na socialização, autonomia e participação das crianças em diferentes ambientes. Segundo a equipe, o processo terapêutico não se limita ao tempo dentro da sala de atendimento. O acolhimento começa desde a chegada da criança à instituição e continua nas orientações repassadas às famílias, que são incentivadas a reproduzir, em casa, atividades simples capazes de estimular o desenvolvimento e fortalecer os resultados alcançados durante as terapias.

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Todos os dias, a Apae Curitiba acolhe mais de 500 estudantes, oferecendo educação especializada, saúde e assistência social em três unidades. Com uma média de 40 mil atendimentos terapêuticos ao ano, a instituição trabalha para promover inclusão, autonomia e dignidade.

Para continuar esse trabalho e realizar melhorias em sua estrutura, a Apae Curitiba conta com a solidariedade da comunidade. 

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