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Protrusão lingual: entenda as técnicas e a importância do tratamento adequado 

A condição pode impactar fala, alimentação e respiração, mas o acompanhamento fonoaudiológico precoce e os estímulos realizados em casa contribuem para o desenvolvimento e a qualidade de vida das crianças com síndrome de Down.
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Eduarda Zeglin
Jornalista, Analista de Comunicação, Marketing e Eventos
Publicado em
Exercícios de sopro, como brincadeiras com bolhas de sabão, estão entre as estratégias utilizadas no estímulo orofacial e respiratório. Foto: Juliana Paiva.

De acordo com especialistas, entre 60% e 80% das crianças com síndrome de Down apresentam protrusão lingual, condição em que a língua permanece projetada para fora da boca. Esse quadro ocorre por uma série de fatores relacionados às características da síndrome, sendo um dos principais a hipotonia muscular, ou seja, o baixo tônus dos músculos, que ficam mais “flácidos”, incluindo lábios, bochechas e língua. Essa condição dificulta o vedamento labial e o correto posicionamento da língua dentro da cavidade oral.     

Outro fator importante está relacionado à estrutura facial. Crianças com síndrome de Down podem apresentar a cavidade oral menor, especialmente o palato (céu da boca), o que dá a sensação de que a língua é maior para aquele espaço. Além disso, a respiração oral, muitas vezes causada por obstruções nasais ou hábitos adquiridos, contribui para que os lábios permaneçam abertos e a língua fique anteriorizada.       

Alterações nos padrões orais também influenciam esse quadro. Dificuldades na sucção, mastigação e deglutição podem levar a uma postura inadequada da língua, que passa a ser utilizada como forma de compensação para garantir estabilidade durante essas funções. Com o tempo, esse posicionamento pode se tornar um hábito, especialmente na ausência de estímulos adequados para o fechamento da boca e organização muscular. 

Impactos no desenvolvimento

Segundo a fonoaudióloga Desiree Marrie de Souza, a protrusão lingual pode impactar diretamente o desenvolvimento da criança. A fala é uma das áreas mais afetadas, com prejuízos na articulação dos sons, presença de distorções, escape de ar e menor clareza, especialmente na pronúncia de fonemas como “S” e “Z”.

Além disso, alterações na mastigação influenciam o desenvolvimento global da musculatura orofacial e da coordenação motora, que são fundamentais para a fala. “Se a criança se acostuma a manter a língua anteriorizada, esse padrão pode se repetir durante a fala”, explica a especialista.

A importância do acompanhamento fonoaudiológico

Nem todas as crianças com síndrome de Down apresentam protrusão lingual, e a necessidade de acompanhamento varia de caso para caso. No entanto, quando identificado, o acompanhamento fonoaudiológico é indicado, preferencialmente, desde os primeiros anos de vida.

O trabalho do profissional envolve a organização do tônus muscular, o estímulo ao vedamento labial, a respiração nasal, o desenvolvimento da fala e das funções orais, como alimentação. As intervenções são adaptadas conforme a fase do desenvolvimento da criança, respeitando suas necessidades individuais.

Técnicas e estratégias utilizadas

As técnicas não são importantes apenas nas sessões de fonoaudiologia, mas também no ambiente familiar. É no dia a dia, com a participação da família, que os estímulos acontecem de forma contínua, contribuindo para a evolução da criança.

Entre as principais abordagens utilizadas no tratamento, estão:

  • Estímulo ao vedamento labial: atividades como mandar beijo, usar canudo, soprar bolhas de sabão ou brincar de encher as bochechas ajudam no controle dos lábios.
  • Respiração nasal: incentivo à manutenção da boca fechada em momentos de repouso e cuidados com a higiene nasal, quando necessário.
  • Organização da língua: estímulos funcionais, como lamber alimentos mais consistentes (iogurte, purê) e incentivar movimentos laterais durante a alimentação.
  • Alimentação adequada: oferta de diferentes texturas e estímulo à mastigação bilateral, evitando a permanência prolongada de alimentos muito pastosos.
  • Consciência oral de forma lúdica: brincadeiras no espelho, imitação de sons e movimentos e orientação leve sobre postura oral.
  • Ajustes no dia a dia: atenção à postura da cabeça, redução do uso prolongado de chupeta ou mamadeira e reforço positivo para o fechamento da boca.
 

A evolução varia de acordo com cada criança, mas o envolvimento da família é fundamental em todo o processo. O acompanhamento contínuo e o estímulo em casa contribuem significativamente para os resultados.

Sem a intervenção adequada, podem surgir impactos a longo prazo, como alterações na fala, dificuldades alimentares, respiração oral, salivação excessiva, além de possíveis alterações no crescimento orofacial. Assim, o tratamento busca promover qualidade de vida, autonomia e melhores condições de comunicação para a criança. 

Na Apae Curitiba, esse acompanhamento é realizado por meio de atendimentos especializados em fonoaudiologia, com intervenções adaptadas às necessidades de cada paciente e orientações contínuas às famílias, fortalecendo o desenvolvimento infantil de forma integrada. 

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