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Primeiro longa brasileiro dirigido por cineasta com síndrome de Down ganha reconhecimento internacional

Dirigido pelos irmãos Jonatas e Tiago Puntel Rubert, o documentário “Uma em mil” questiona conceitos de normalidade e autonomia ao partir da própria vivência familiar dos realizadores.
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Redação Apae
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O cinema brasileiro celebra um momento simbólico com o documentário “Uma em mil”, considerado o primeiro longa-metragem do país dirigido por uma pessoa com síndrome de Down. A obra é assinada pelos irmãos Jonatas e Tiago Puntel Rubert e nasce de uma experiência familiar que se transforma em um olhar sensível, bem-humorado e provocativo sobre autonomia, diferenças e expectativas sociais. O projeto começou a tomar forma em 2021, quando recebeu apoio para desenvolvimento por meio da Lei Aldir Blanc, política pública criada para apoiar o setor cultural durante a pandemia de COVID-19.

Trajetória em festivais e reconhecimento internacional

O documentário foi selecionado para a competição oficial de longas do festival DOC.Coimbra, em Portugal, integrando a Luso Feature Competition. A exibição está marcada para o dia 18 de março, na cidade de Coimbra. Em sua terceira edição, o evento reúne produções de diversas partes do mundo, com filmes de mais de 30 países distribuídos em dezenas de sessões competitivas.

A participação em Coimbra reforça o caminho de destaque que o longa vem construindo desde sua estreia. Antes disso, “Uma em mil” foi finalista do All Inclusive Award no DOK.fest München, na Alemanha, além de marcar presença em importantes mostras e festivais dedicados ao cinema documental.

No Brasil, o reconhecimento também foi expressivo. A produção conquistou três Kikitos na mostra gaúcha do Festival de Cinema de Gramado nas categorias de direção, roteiro e direção de arte, e ainda recebeu o prêmio Redentor de Melhor Filme na mostra Novos Rumos do Festival do Rio.

Uma reflexão sobre diferença, autonomia e “normalidade”

A narrativa parte de uma pergunta direta, mas cheia de implicações: afinal, qual é a diferença entre ter ou não síndrome de Down? A partir dessa provocação, os diretores investigam como o diagnóstico (que ocorre aproximadamente em um a cada mil nascimentos) influência trajetórias pessoais, relações familiares e percepções sociais. Na própria família dos realizadores, a coincidência acontece duas vezes: Tiago e o tio Cleber têm a síndrome. O documentário utiliza conversas entre os irmãos, o tio e suas mães para ampliar o debate além da visão médica tradicional, questionando ideias estabelecidas sobre o que seria considerado “normal”.

Com criatividade, o filme conecta reflexões cotidianas a referências inesperadas, como a invenção do rádio ou da escada, para ilustrar como as diferenças se manifestam nas experiências de vida.

Produzido pela Faço Filmes, em coprodução com a SeuFilme e distribuição da Olhar, o longa tem produção assinada por Natasha Ferla.

Mais do que um feito histórico para o cinema nacional, “Uma em mil” representa um avanço importante na presença de pessoas com deficiência no audiovisual. Ao transformar sua própria experiência em linguagem cinematográfica, os irmãos demonstram que histórias sobre diversidade não precisam apenas ser retratadas na tela, elas também podem ser conduzidas por quem vive essas realidades no cotidiano.

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Texto: Vitor Gabriel

A Apae Curitiba

A Apae Curitiba é uma instituição sem fins lucrativos que, há mais de seis décadas, promove atendimento às pessoas com deficiência intelectual e múltipla nas áreas da saúde, educação e assistência social. Além desses três pilares de atuação, a instituição também contribui para a defesa de direitos, a prevenção, a orientação, a prestação de serviços e o apoio às famílias de mais de 500 estudantes.

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