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PDA e Autismo: como transformar a resistência em cooperação

Entender o autismo com perfil PDA é perceber que o "não" da criança nem sempre é birra, mas uma resposta à ansiedade. Ao trocar ordens por escolhas e parceria, famílias e profissionais criam um ambiente seguro onde a resistência dá lugar à cooperação.
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Juliana Paiva
Estagiária de jornalismo
Publicado em

Muitas vezes, interpretamos a recusa de uma criança em seguir instruções como desobediência, birra ou falta de limites. No entanto, para algumas crianças dentro do Espectro Autista, dizer “não” a uma tarefa simples não é uma escolha, mas uma resposta de sobrevivência. Esse perfil é conhecido como PDA (Evitação de Demandas Patológica)  ou, como muitos preferem hoje, um desejo constante por autonomia. Entender o PDA é a melhor forma de transformar o conflito em colaboração dentro de casa e na terapia.

O PDA é entendido como um perfil do espectro autista onde a característica mais marcante é a resistência obsessiva a demandas cotidianas, mesmo aquelas que são de interesse, movida por uma ansiedade extrema. Diferente da desobediência comum, essa condição é uma resposta biológica de “lutar ou fugir”: o cérebro da criança interpreta pedidos simples como ameaças à sua autonomia e segurança. Para ela, evitar a demanda não é uma escolha de comportamento, mas uma necessidade de recuperar o controle para reduzir o pânico interno. Segundo a PDA Society, organização do Reino Unido voltada à conscientização sobre o tema,  a melhor maneira de lidar com isso é realizando um tipo de troca, alterando um pedido ou ordem de autoridade tradicional por estratégias de colaboração e redução de pressão.

De acordo com o guia da Reframing Autism, existem 6 características centrais que podem ajudar a definir esse perfil:

Resistência com demandas cotidianas: Coisas simples como escovar os dentes, comer ou colocar sapatos podem causar reações intensas.

Necessidade extrema de controle: Para evitar a ansiedade, a pessoa precisa sentir que está no comando da situação.

Uso de estratégias sociais: Diferente de outros autistas, pessoas com PDA podem usar desculpas, humor ou distração para evitar uma demanda.

Habilidades sociais “de superfície”: Podem parecer ter boa comunicação social, mas muitas vezes não compreendem as hierarquias ou os limites sociais de forma profunda.

Comportamento obsessivo: Foco intenso em interesses ou, às vezes, em pessoas específicas.

Conforto no “faz de conta”: Tendência a se refugiar na fantasia ou interpretar papéis para lidar com a realidade.

Para contornar esses comportamentos, é preciso trabalhar com o PDA atuando através de uma parceria, por meio de linguagem declarativa. Por exemplo: em vez de ordenar que uma criança busque algo, faça comentários do tipo: “Eu precisava muito do meu celular que deixei na sala”, já que isso cria um espaço para a criança decidir e agir sem se sentir pressionada. Uma outra alternativa pode ser a oferta de escolhas limitadas; se quer que a criança coma brócolis, mas sabe que ela vai recusar, ao invés de ordenar, pergunte: “Você prefere o brócolis no prato azul ou verde?”. O objetivo final é o mesmo, mas a abordagem deixa a criança no controle das suas escolhas. 

O papel da família e dos profissionais da Apae não vai ser o de quebrar essa resistência à força, mas construir uma ponte de segurança. Quando a criança se sente segura, a necessidade de evitar as demandas diminui naturalmente.

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