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Massinha de modelar ajuda no desenvolvimento infantil e reduz impactos do excesso de telas

Para além da diversão, a modelagem contribui diretamente para o desenvolvimento motor, sensorial e cognitivo na infância, especialmente em um contexto de uso frequente de telas.
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Juliana Paiva
Estagiária de jornalismo
Publicado em

O contato com materiais maleáveis estimula uma das etapas mais importantes do crescimento humano. De acordo com profissionais da saúde e educação, o exercício constante de manipular massas fortalece a musculatura das mãos e aprimora a coordenação motora fina, competências que servem de base para o futuro domínio da escrita e para a autonomia em tarefas cotidianas. Nesse contexto, a modelagem também se destaca como um contraponto ao uso excessivo de telas, ao estimular habilidades que vão além do toque superficial dos dispositivos eletrônicos.

Diferente do estímulo visual instantâneo do ambiente digital, a prática exige tempo, atenção e envolvimento. O contraste é evidente: enquanto as telas operam no imediatismo, a modelagem resgata o fazer manual e respeita o ritmo individual da criança. Esse processo introduz a chamada “frustração positiva”, ensinando a lidar com sentimentos complexos, como quando uma escultura quebra ou exige uma sustentação estrutural ainda em aprendizado.

Na Escola de Estimulação e Desenvolvimento (CEDAE) e Luan Muller da Apae Curitiba, o uso da massinha integra atividades pedagógicas voltadas ao desenvolvimento global das crianças. Por meio da modelagem, os estudantes exercitam coordenação motora, percepção sensorial, criatividade e concentração de forma lúdica e acessível.

Segundo a professora da unidade CEDAE, Andréia Cristina, a prática também está alinhada às diretrizes educacionais. “De acordo com a BNCC, como benefício pedagógico no campo socioemocional, auxilia no relaxamento e alívio de tensão, além da criatividade e imaginação, coordenação motora fina, desenvolvimento sensorial, atenção e concentração, socialização e linguagem”, ressalta.

Equilíbrio sensorial e conexão humana

Além do aspecto físico, a modelagem funciona como um regulador sensorial em ambientes saturados por luzes vibrantes e sons de aplicativos. Ela oferece um foco atencional profundo, capaz de acalmar enquanto exercita o raciocínio. A Professora Andréia alerta para os riscos do desequilíbrio nesse estímulo. 

“O uso excessivo de telas por crianças causa prejuízos no desenvolvimento cognitivo, emocional, social e físico, incluindo atrasos na fala, dificuldade de concentração, miopia, distúrbios do sono e obesidade.” 

A profissional pontua ainda que a superexposição gera baixa tolerância à frustração, irritabilidade e dependência tecnológica, comprometendo a interação social. Em oposição ao isolamento causado pelo uso individual de dispositivos, a modelagem em sala de aula promove a conexão humana e a socialização entre pares através da criação conjunta.

Imaginação e progresso real

Em um mundo onde a criatividade é um recurso valioso, o trabalho manual atua como agente facilitador da imaginação. Ao dar vida a personagens e cenários, a criança é incentivada a estruturar enredos com início, meio e fim, desenvolvendo competências narrativas precoces.

Portanto, o uso da massinha principalmente na educação infantil consolida-se como uma atividade primordial para o desenvolvimento integral na primeira infância. Como conclui a Professora Andréia, o apoio emocional fornecido por essa prática é de valor inestimável para ajudar a criança a enfrentar situações desafiadoras.

O papel da instituição

A equipe da Apae Curitiba busca integrar a modelagem ao cotidiano escolar de forma estratégica, respeitando as particularidades de cada aluno. Com auxílio do corpo pedagógico, a instituição utiliza a atividade para transformar o lúdico em progresso real, mediando desde o reconhecimento sensorial até a gestão das emoções.

Mais do que uma prática escolar, a Apae reforça junto às famílias a importância da continuidade desse estímulo no lar, garantindo que o desenvolvimento motor e cognitivo seja pleno, constante e, acima de tudo, humanizado.

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Todos os dias, a Apae Curitiba acolhe mais de 500 estudantes, oferecendo educação especializada, saúde e assistência social em três unidades. Com uma média de 40 mil atendimentos terapêuticos ao ano, a instituição trabalha para promover inclusão, autonomia e dignidade.

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