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Dia Internacional da síndrome de Down: campanha de 2026 coloca a solidão no centro do debate 

A campanha de 2026 convida a sociedade a olhar para além da deficiência e refletir sobre o papel de cada um na construção de ambientes mais acolhedores, inclusivos e humanos, onde ninguém precise enfrentar a solidão por falta de espaço, escuta ou pertencimento.
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Redação Apae
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A solidão vivida por pessoas com deficiência ainda é um tema pouco discutido, apesar de seu impacto profundo na saúde emocional e na qualidade de vida. A necessidade de pertencer a uma comunidade, criar vínculos e se relacionar é algo natural do ser humano, e esse direito deveria ser garantido a todos. No entanto, para pessoas com deficiência, essa vivência nem sempre acontece de forma plena. 

Em 2026, a campanha do Dia Internacional da síndrome de Down propõe justamente essa reflexão, ao trazer a solidão como tema central e provocar o debate sobre como a exclusão social pode ser dolorosa.

Definido pela Federação das Pessoas com síndrome de Down, o tema “Amizade, Acolhimento, Inclusão… Xô Solidão!” busca o fortalecimento da autodefensoria e a construção de relações significativas. A proposta está alinhada à campanha global “Together Against Loneliness” (Juntos contra a Solidão), que reforça a importância do pertencimento e do convívio social.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a solidão já é considerada uma epidemia global de saúde pública. A estimativa é de que uma em cada seis pessoas no mundo seja afetada pelo problema. Ainda segundo a OMS, os impactos da solidão podem ser comparáveis aos de fumar 15 cigarros por dia, aumentando o risco de doenças cardíacas, declínio cognitivo, ansiedade e depressão em todas as faixas etárias.  

É dentro desse cenário que histórias como a do Jorge Hamilton, 9 anos, ajudam a dar rosto a essa realidade. Antes de entrar na Apae, Jorge estudava em uma escola regular, onde tinha apenas uma amiga e não costumava interagir ou se comunicar com os outros colegas. A dificuldade de inclusão e de convivência limitava suas relações no ambiente escolar, contribuindo para momentos de isolamento.

Segundo a mãe, Marlene Aparecida Cassiano, esse sentimento também aparece em situações simples do dia a dia. “Quando vem alguém brincar com a minha filha mais nova, de seis anos, ele se sente excluído… fica mais afastado”, relata.

Além disso, a família enfrenta o olhar preconceituoso da sociedade. “As pessoas não veem ele como uma criança como qualquer outra. Quando você está com uma criança com síndrome de Down na rua, muitos ainda olham de forma diferente, com estranhamento”, desabafa.


Essa realidade reflete como a exclusão pode acontecer de forma silenciosa, impactando diretamente a socialização de crianças com síndrome de Down.

Após o ingresso na Apae, no entanto, a família passou a perceber mudanças significativas no seu desenvolvimento, especialmente na interação com outras crianças e na criação de vínculos. “No transporte escolar ele já fez amiguinhos. Na escola ainda é recente, mas a gente já vê diferença”, afirma a irmã, Magda.

Agora, a expectativa é que, com acompanhamento especializado, ele consiga desenvolver principalmente a comunicação. “O que a gente mais quer é que ele consiga se expressar melhor. Porque a gente entende ele, mas outras pessoas não… e isso pode gerar dificuldades”, completa.

Para o Dr. William de Souza Santos, médico geneticista especialista no cuidado de pessoas com síndrome de Down, a solidão é uma questão que impacta diretamente a autoestima, o desenvolvimento emocional e a autonomia dessas pessoas. 

“Além dos impactos na saúde mental, como baixa autoestima, sensação de rejeição, ansiedade e depressão, o isolamento também pode trazer consequências físicas, especialmente para pessoas com síndrome de Down.”, fala Dr.Willian.

Segundo ele, em muitos casos, a falta de oportunidades de convivência e participação social contribui para o isolamento, mesmo quando há desejo e capacidade de interação. Esse isolamento também traz consequências para a saúde física, podendo aumentar a tendência ao sedentarismo, à obesidade e ao desenvolvimento de doenças metabólicas, evidenciando que a inclusão social é fundamental para o bem-estar integral dessas pessoas. 

“Antes de falar que a pessoa é uma pessoa com síndrome de Down, ela é alguém como qualquer outra e todo mundo precisa de estímulos, acabar com o preconceito e saber que as pessoas com síndrome de Down tem a sua autonomia.”, reafirma o médico geneticista.

É fundamental que a desmistificação de estereótipos e das diferenças seja trabalhada desde a infância. Falar sobre inclusão com as crianças contribui para reduzir preconceitos e evitar a ideia equivocada de que uma criança com deficiência é limitada em todas as suas capacidades.

Esse diálogo promove mais compreensão, respeito e igualdade de oportunidades. Quando a informação chega cedo, ela ajuda a eliminar barreiras sociais, facilita o acesso e reduz as perdas de oportunidades que muitas dessas crianças ainda enfrentam.

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Texto: Eduarda Zeglin e Milena Hable

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