Debate sobre educação inclusiva reforça importância do suporte individualizado
Discussão vai além do acesso à sala de aula e aborda aprendizagem e desenvolvimento.

Preconceitos e barreiras ainda fazem parte da realidade de quem é considerado “diferente” pela sociedade. Para pessoas com o espectro autista esse cenário pode tornar o desenvolvimento da autonomia um desafio ainda maior. É justamente esse o foco da campanha de 2026 do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, que traz como tema: “Autonomia se constrói com apoio”.
Para Estephanie do Nascimento, mãe do estudante Gabriel de Paula, manter e incentivar a autonomia do filho foi um processo difícil. Ela relata que sempre foi uma mãe superprotetora, mas, com a ajuda de especialistas, entendeu que o melhor caminho era incentivar a independência de Gabriel.
“Eu sempre fui aquela mãe de fazer tudo, mas a psicóloga foi conversando comigo e me explicando que eu tinha que dar essa autonomia pra ele. Então, aos poucos, com a ajuda dos terapeutas, eu fui ensinando ele a ter essa autonomia”, relata.
Desde que entrou na instituição, Gabriel apresentou uma evolução perceptível, e o desenvolvimento da sua independência fez toda a diferença em seu processo de aprendizagem e desenvolvimento.

Apesar dos avanços, Gabriel saiu da Apae em 2020 e passou a frequentar a escola regular. Mesmo com o suporte, ele acabou regredindo em alguns aspectos, principalmente no que diz respeito à autonomia. “Quando acabou a pandemia, ele voltou para a escola, ele já tinha regredido um pouquinho e foi então que ele não conseguiu acompanhar. Eu fiquei três anos tendo muita dificuldade, ele não conseguiu aprender, ele estagnou”, conta Stephanie.
Diante das dificuldades, junto aos médicos, a família considerou a possibilidade de Gabriel retornar à Apae, já que o ensino comum não estava sendo o ideal para o seu desenvolvimento.
Após retornar à instituição, a família e os profissionais notaram novamente avanços no desenvolvimento de Gabriel. Stephanie relembra que se surpreendeu ao ver o filho realizando uma tarefa de casa sozinho pela primeira vez. “Ele sempre precisou da minha ajuda para fazer as lições de casa, as atividades, e agora ele conseguiu fazer a lição de matemática sozinho. Ele fica muito feliz em conseguir fazer, e eu também fico feliz de ver ele fazendo.”
Com o retorno, todo o trabalho pedagógico e terapêutico precisou ser reestruturado e continuado para que ele não perdesse as habilidades já conquistadas. Stephanie reforça a importância da instituição na vida do filho: “Eu falo isso em todos os lugares que eu vou, que se não fosse a Apae, ele não teria essa autonomia que ele tem hoje, não conseguiria fazer tantas coisas e não teria aprendido tudo o que ele sabe hoje.”
Na Escola Luan Muller, o desenvolvimento da autonomia começa desde a chegada dos estudantes à escola. Ações e estratégias são adotadas para que crianças e jovens se sintam pertencentes ao ambiente escolar e reconheçam suas potencialidades para realizar atividades do dia a dia com independência.
Segundo a pedagoga Kamila Antunes, a autonomia é trabalhada em todos os momentos da rotina escolar, desde o recreio até as atividades em sala. Os alunos são incentivados a identificar seus espaços, servir o próprio lanche, pegar água, organizar materiais e realizar atividades de higiene com o máximo de independência possível. Os professores acompanham de perto, oferecendo ajuda quando necessário, mas sempre estimulando que os estudantes realizem as tarefas sozinhos, fortalecendo a confiança e a independência ao longo do tempo.
Ao se referir ao desenvolvimento de Gabriel dentro da escola, Kamila destaca que ele já demonstra autonomia em diversas atividades do dia a dia e uma boa adaptação ao ambiente escolar. “O Gabriel é muito bom, ele se alimenta sozinho, vai no banheiro sozinho, conhece a escola, então ele já está adaptado. Ele está desde o começo do ano, mas parece que ele já fazia parte da nossa escola há muito mais tempo”, refletiu Antunes.
A rotina também é uma aliada nesse processo. Para pessoas autistas, saber o que vai acontecer ao longo do dia e manter uma estrutura previsível é fundamental para evitar desorganização, ansiedade e insegurança. Recursos visuais, como figuras e fotos, ajudam a orientar as atividades e permitem que o estudante compreenda, de forma mais clara, cada etapa da rotina.
É nesse contexto que Gabriel desenvolve sua autonomia, participando das atividades diárias, organizando seus materiais, seguindo os horários e realizando tarefas com cada vez mais independência. Mais do que uma prática pedagógica, o estímulo à autonomia se consolida, no dia a dia, como um caminho possível para ampliar a participação e a inclusão de estudantes autistas em diferentes espaços da sociedade.
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A Escola Luan Muller oferece Educação Especial para crianças e jovens de 6 a 15 anos, promovendo o desenvolvimento pedagógico e a alfabetização em um ambiente acolhedor e inclusivo. As atividades envolvem diferentes áreas do conhecimento e propostas pedagógicas que estimulam a aprendizagem, a autonomia e a participação dos estudantes.
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