Debate sobre educação inclusiva reforça importância do suporte individualizado
Discussão vai além do acesso à sala de aula e aborda aprendizagem e desenvolvimento.

Para muitas famílias, a rotina é marcada por atenção constante para evitar acidentes que podem ser graves ou até fatais. Entre as preocupações está o chamado elopement, comportamento caracterizado pela saída repentina de crianças de ambientes considerados seguros, sem supervisão. Essas fugas podem acontecer por curiosidade, busca por estímulos sensoriais ou tentativa de escapar de situações que causam ansiedade.
A fuga pode ocorrer de forma silenciosa e inesperada, em casa, na escola ou em locais públicos. Enquanto algumas crianças correm em direção a algo que despertou interesse, outras tentam se afastar de estímulos desagradáveis. Em ambos os casos, a dificuldade em reconhecer perigos, como trânsito, altura ou proximidade com água, transforma esse comportamento em um desafio sério para famílias e cuidadores.
Estudos mostram que o problema é mais comum do que se imagina. Uma pesquisa publicada na revista Pediatrics, que analisou mais de 1.200 crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), revelou que 49% delas tentaram fugir pelo menos uma vez após os quatro anos. Além disso, 26% permaneceram desaparecidas por tempo suficiente para gerar preocupação com sua segurança. Entre os episódios registrados, 24% apresentaram risco de afogamento e 65% risco de acidentes de trânsito, evidenciando o potencial de consequências graves.
Para crianças autistas, especialmente entre 0 e 6 anos, a supervisão constante é indispensável. “Crianças pequenas, autistas ou não, ainda não têm noção completa de perigo. A presença do adulto é a principal forma de prevenção”, explica Cassiana, psicóloga na Escola de Eatimulação e Desenvolvimento (CEDAE).
No ambiente doméstico, medidas simples podem reduzir riscos: instalação de telas de proteção em janelas, portões para restringir acesso à cozinha ou áreas com produtos perigosos, além do cuidado com móveis e objetos cortantes ou tóxicos.
Na escola, salas adaptadas com portões de acesso, armários com trancas e mobiliário adequado facilitam intervenções rápidas caso a criança tente sair.
“Conhecer o interesse e os comportamentos de cada aluno é a principal ferramenta para prevenir fugas. Quando conseguimos antecipar uma crise, podemos acolher a criança e evitar o risco”, complementa Cassiana.
Aprender sobre riscos é um processo gradual. Crianças com autismo podem levar mais tempo para assimilar regras de segurança, mas conseguem desenvolver esse aprendizado com explicações claras, reforço positivo e recursos visuais.
Na rotina escolar, isso aparece em orientações frequentes, como lembrar a criança de não colocar massinha de modelar na boca ou evitar tocar objetos cortantes sem supervisão. A repetição consistente fortalece essas noções e amplia a proteção no dia a dia.
O elopement também pode surgir quando a criança deseja conhecer novos ambientes. Nesses momentos, o acompanhamento próximo do adulto ajuda a transformar a curiosidade em descoberta segura.
“Quando mostramos o espaço à criança, ela se sente mais segura e diminui a necessidade de sair correndo para descobrir tudo sozinha”, afirma a psicóloga.
Além disso, a fuga pode funcionar como estratégia de autorregulação diante de estímulos sensoriais intensos, como barulho excessivo, luz forte ou alterações no ambiente. Identificar sinais de estresse e acolher a criança em sua singularidade contribui para prevenir crises.
A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) está entre as abordagens mais eficazes para reduzir o risco de elopement. O método ajuda a identificar as causas da fuga e desenvolver alternativas seguras, como treino de permanência em ambientes, fortalecimento da comunicação funcional e orientação para pais e cuidadores.
Outras medidas preventivas incluem:
Mais do que evitar acidentes, o cuidado com o elopement envolve proteger a autonomia das crianças com autismo para que possam crescer, aprender e explorar o mundo com segurança. Para pais, educadores e cuidadores, informação, atenção aos sinais de agitação e preparo para agir rapidamente são ferramentas essenciais de proteção.
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Texto: Vitor Gabriel
A Escola de Estimulação e Desenvolvimento (CEDAE) atende a Educação Infantil na modalidade de Educação Especial, oferecendo atendimento pedagógico e terapêutico em suas duas unidades. A instituição é voltada para a educação de crianças de 0 a 5 anos com síndromes, atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor e deficiência intelectual.
Por meio do processo educacional e terapêutico, a escola busca promover a formação do cidadão, incentivando a independência, a autonomia e a estimulação precoce. Conheça a escola clicando AQUI.
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